Duas festas populares e importantes de Caxias


Valéria Martins da Protegidos da Princesa
POR LAUDIR DUTRA - Privilegiados os caxienses em poder decidir em dias de reinado de momo, qual o evento que mais lhe apetece. De um lado, em primeiro lugar em importância, pois trata-se de uma festa que faz parte do calendário nacional, o Carnaval, que ano após ano vem evoluindo e ganhando mais adeptos, apesar das grandes dificuldades encontradas. De outro, a Festa da Uva, com mais dimensões, maior visibilidade e mais atrativa do ponto de vista de investimentos, pois é originária daqui da terra.
O Carnaval deixou de ser uma festa para ‘pobre’ faz muito tempo. As escolas de samba dos grandes centros se tornaram empresas e atraíram investidores poderosos, como marcas de cervejas, de celulares, cigarros e indústrias automobilísticas e também atraem turistas do mundo todo.
Poderia ser agregado aqui também, uma vez que a cidade possui potencial para tanto e seria um apelo natural, além é claro, de oferecer diversão.
Festa da Uva e Carnaval não se misturam definitivamente, haja vista o apelo que é dado aos desfiles, de um e de outro. No primeiro, tudo, até as autoridades de trânsito agem de maneira mais cordata, com leveza, sem revanchismo ou autoritarismo, ou seja, as coisas fluem de maneira mais natural. Os moradores da Sinimbu saem às janelas dos seus apartamentos para curtir e se emocionam com o cortejo.
No Carnaval é diferente, as janelas dos prédios são fechadas, ninguém aparece nas sacadas para aplaudir ou assistir descompromissadamente, os guarda de trânsito são mais ‘raivosos’, a BM já olha com certa desconfiança. Não faltará daqui a pouco, críticas ou manifestos para tirá-lo da Sinimbu, como se fosse algo pecaminoso ou contagioso. Na verdade existe uma certa má vontade de alguns setores e até uma resistência dos nossos empresários e parte da sociedade, que insistem em direcionar as coisas para um único ponto, tornando assim quase impossível que a evolução fique explícita quanto às diversas manifestações culturais e profissionais existentes em Caxias.
A Festa da Uva, que é uma tradição aqui nessa terra, é uma das maiores e mais belas do gênero no Brasil, mas se afasta um pouco das pretensões da população mais humilde, apesar de haver preços competitivos para acesso aos pavilhões, nem e talvez por isso, deixaria de formar cada vez mais parceiros interessados em mostrar sua marca que vai para todos os cantos do país.

No Rio de Janeiro os garis participam da festa como parte integrante. Tudo começou com o Sorriso, que sempre que uma escola passava, ele vinha atrás, sambando com sua vassoura, distribuindo simpatia para todos os lados, conquistando o público e ao mesmo tempo, realizando o seu trabalho. Hoje ele é um dos personagens mais esperados na Sapucaí. Esse ano ele saiu como destaque em um das escolas de samba e com uma fantasia parecida com o seu uniforme. Virou símbolo.
A ideia poderia se encaixar perfeitamente aqui com o pessoal da Codeca. A cidade é vista por todos como uma das mais limpas, pelo menos no centro, então porque não incorporar junto às escolas, tornando uma ala e valorizando esses profissionais, que não precisam ficar constrangidos de maneira alguma, pois são trabalhadores e exercem suas funções com dignidade. Assim poderia ser feito com tantas outras boas iniciativas realizadas pelo poder público. “O que é bonito é para ser mostrado.”
Deve ser assim mesmo, se existe um apelo tão grandioso, todos querem o seu produto ali exposto, mas deve ser criada a cultura de opções variadas que contemplem a todos e não ficar refém de uma pequena parte ou de maior influência junto às comunidades.
Ninguém quer tornar o Carnaval ou a Festa da Uva antipáticos, quem participa deve ter em mente que vai existir em um determinado momento, rejeições de pequena ou grande parte da população. Os organizadores sabem que quem frequenta a Festa da Uva, 80% pelo menos, é daqui e apenas em torno de 15%, 20% são oriundos de outras localidades do estado e país, então devemos cuidar e tratar melhor as pessoas que ficam aqui sempre, que trabalham aqui, que valorizam de alguma maneira essa terra.
É bom noticiar que o fulano tal, o beltrano estiveram visitando os pavilhões, mas eles se vão, deixam aqui a sua boa impressão, podem contagiar outros a conhecer, mas se vão, quem vai continuar divulgando, falando bem para sempre e tão perto dela, é o povo caxiense. O agricultor, o produtor de uvas, que com orgulho vai reunir sua família e agradecer aos céus por ter tido a oportunidade de participar de alguma maneira. O grande empresário vai expandir seus negócios com certeza, vai mostrar até para outros países o que aqui é produzido em tecnologia e mão de obra, sim, mão de obra, pois sem os operários, não existe produção.
Carro temático da Festa da Uva
O fator Carnaval pode ser lucrativo também se bem planejado e com participação do poder público. Não dá para entender porque existindo uma estrutura tão grande e pronta na Sinimbu, as escolas de samba desfilaram praticamente no escuro. São coisas desse tipo que reforça a ideia de que existem pesos e medidas diferentes e que o Carnaval vai demorar um pouco para realmente acontecer em Caxias.
Evidentemente que houveram muitos avanços, alguns pecados, mas que no cômputo geral, agradou a quem participou e assistiu. As escolas ainda precisam ser totalmente independentes do poder público, não podem ficar esperando as verbas para realizar seus desfiles. A bem da verdade, algumas escolas estão conseguindo isso. Só para citar dois exemplos, a Incríveis do Ritmo, legítima campeã, e a Protegidos da Princesa, vice, já têm isso em mente. Mas ainda é preciso mais.
Quem sabe com a participação da comunidade, formar alas específicas. A Festa da Uva por exemplo, poderia ter carros alegóricos participando do carnaval, desde que é claro, houvesse mais interesse.
A Unidos da Zona Norte trouxe para a avenida uma ala inteira dos amigos do jornalista Roberto Carlos. Não interessa os motivos e as razões, eles estavam lá, foram convidados e aceitaram. Pode ser um caminho para aumentar a participação nas escolas.
A ausência de autoridades representativas na avenida é um fato que chega a ser constrangedor, num descaso total. Na primeira noite de carnaval, havia dois ou três vereadores, o ex-prefeito Mansueto Serafini Filho e nenhuma outra figura ilustre da cidade. Perderam uma grande oportunidade, pois as arquibancadas estavam quase lotadas.
Mas, vamos levando até um dia em que algumas coisas não tenham mais amparo por aqui. Como dizia o roteiro de um grande filme, “Assim Caminha a Humanidade”. Sem justificar atitudes e muito menos dar ouvidos a construções de ideias, alguns vão seguindo no comando com a certeza de que serão perpetuados.
Certa vez, um personagem que faz a história desse periódico disse uma frase que jamais vou esquecer. “O golpe da foice que é preocupante. Na ida ela vai forte, quando volta é com muito mais força”. Um abraço ao amigo Guerino Pisoni Neto. (Fotos Ponto Inicial)

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