Por Laudir Dutra - Uma biblioteca para os clientes foi a ideia da empresária Bianca Dotti Sartori para estreitar mais os laços de amizade com os clientes. Trata-se do ‘Branca Books’, que se soma assim ao já conhecido aconchego da Branca Rosa e Dottfini, espaços consagrados pelo público consumidor.
Bianca conta à reportagem que a ideia surgiu depois da grande demanda que acontece entre as pessoas que frequentam as suas lojas e os intercâmbios de leitura que se tornou corriqueiro, “o espaço propicia a que minhas amigas me devolvam os livros que empresto a elas”, brinca Bianca, sem mencionar o grande apelo cultural que a ideia trouxe. “Na verdade essa é uma brincadeira que faço com as minhas clientes, que entre uma conversa e outra, acabamos por trocar alguns livros, leituras de cabeceira, por hábito ou influência. Aqui aceitamos doações para o acervo, mas os livros da nossa prateleira podem ser emprestados pelo tempo que for preciso para devorá-lo. De repente uma pessoa pode acabar lendo uma série de títulos apenas com um exemplar que ela doou. Se não quiser deixar em definitivo, também pode ser apenas empréstimo”, revelando também grande alegria pelo resultado da estreia. “Muitas pessoas que aqui estão já falam em aumento do espaço, tamanho é o retorno que estamos tendo”.
Entre os presentes, o escritor Gilmar Marcílio, conhecido por suas crônicas e que estará lançando juntamente com a Editora Belas-Letras, o livro Querer Sem Medida edição revista. O evento acontece no dia 20 de março às 19 na Livraria Arco da Velha. Mas antes, Marcilio falou à reportagem o seu sentimento com relação a espaço como este que a Branca Rosa criou.
“Amplamente aprovada a iniciativa, está de parabéns a Bianca, acho que cada vez mais se dissemina a cultura para provar que só não lê mesmo quem não quer, pois as oportunidades surgem a todo instante.
O advento da internet como aliado
Marcilio não vê a internet com suas constantes evoluções como um dificultador no processo de elaboração ou na comercialização de uma obra escrita. “Pelo contrário, acredito que isso até ajuda, aumenta o número de leitores. Confesso que não li até hoje nenhum livro de forma virtual, mas acredito que a internet seja um elemento multiplicado.
Evidente que as editoras que vivem disso, que trabalham em cima do lançamento de escritores e, por conseguinte, o comércio de suas obras buscam proteger o conteúdo, e os acessos precisam ser pagos para não desvirtuar ou representar o fechamento das mesmas”.
Sobre as suas obras e o novo livro
“Cada obra é importante no seu período, escolher uma melhor ou pior, seria trair todo um processo de evolução, negar o valor da obra anterior. Acredito que sempre vai ser cedo para dizer assim, os resultados da aceitação podem ser diferentes, mas o que importa mesmo é que diante de um resultado favorável ou não, temos a convicção de que estamos no caminho certo, é o resultado do processo todo que mais importa”.
Os caxienses estão lendo mais, se ‘culturando’?
“Tudo que é lançado no Brasil existe aqui, trabalho na cultura há 25 anos e posso falar com propriedade sobre a evolução e o amadurecimento que Caxias está tendo nessa área. Finalmente a cidade entra no processo de crescimento cultural, está tendo um equilíbrio entre o lazer, a cultura e o crescimento econômico. Antes as pessoas estavam muito preocupadas em ganhar dinheiro, enriquecer e hoje percebo cada vez mais a busca pelos espaços culturais, o teatro, o cinema e principalmente as livrarias. Isso é muito positivo, a nossa Caxias está ficando cada vez mais agradável para se viver”.
Gilmar Marcílio é escritor e filósofo. Publica suas crônicas em jornais desde 1998. Publicou também a coletânea Frutos Ardentes (2005) e A Vida Sem Manchete, ambos pela Editora Belas Letras. É também o coordenador da Galeria Municipal de Arte Gerd Bornheim e da Sala de Cinema Ulysses Geremia. (Fotos Ponto Inicial)
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