CAXIAS DO SUL – Foram pouco mais de 40 minutos de chuva intensa e pronto, o caos se instaurou em Caxias do Sul.
O caos já começava tomar forma na região norte, na rótula de Perimetral Norte com a Moreira César, onde até a entrada do acesso para Flores da Cunha estava completamente alagada, os moradores viram incrédulos em pouco mais de 20 minutos a água invadir terrenos, casas, arrastando automóveis, transformando o que seria via em rios com ondas se formando.
Muitas pessoas reclamavam por socorro, tentando encontrar alguém responsável pelo seu sofrimento, que naquele momento seria apenas do acaso e das intempéries naturais.
O Arroio Tega transbordou, ficou sem vazão e arrastou tudo o que viu pela frente. No bairro São José, onde todas as ruas transversais que poderiam dar acesso à região Norte ficaram simplesmente sitiadas, moradores tentaram de alguma forma segurar o que puderam. Alguns ficaram dentro de casa, tentando se proteger ao menos da chuva, mas a água invadiu tudo e estragou roupa, móveis, alimentos, sonhos e não deixaram nem ao menos um pouquinho de esperança de que tudo aquilo fosse um pesadelo.
Muitas empresas tiveram grandes prejuízos materiais, com carros engolidos pelas águas, pavilhões caídos, tendo que dispensar funcionários mais cedo, em função também da falta de energia causada pelo temporal.
No bairro Fátima Baixo a tristeza se instalou entre os moradores, pois a água castigou muitas casas. Algumas pessoas perderam tudo, como o casal William Leitão da Silva, 21 e esposa Elisângela da Silva Machado, 19, que com dois filhos, dois e quatro anos, tiveram a casa tomada pelas águas, depois que a força da mesma quebrou o vidro do banheiro e invadiu destruindo tudo que via pela frente. Só sobrou o refrigerador, o restante foi tudo perdido.
Altair Vieira e a esposa Cláudia Welter Gomes, que moram numa casa térrea de quatro cômodos na rua Clementina Grasselli, 152 no mesmo bairro já não sabem mais o que fazer. “Já é a terceira vez que enfrentamos essa situação, cada vez que chove é a mesma coisa, inunda tudo e temos prejuízos, e às vezes demoramos tempo até adquirir de novo. Dessa vez, tudo o que fica no chão foi perdido, inclusive eletrodomésticos”, lamenta Cláudia.
Gabriel Viganó, 66, também teve muitos prejuízos. “Perdemos todas as coisas que havia no porão, pois trabalho com madeiras. Minhas ferramentas e alguns eletrodomésticos foram perdidos. O que mais me dói é a situação de um inquilino que morava onde hoje é puro escombro e terra. Ele foi morar de favor em outro lugar, pois as peças que ele morava aqui ficaram completamente destruídas e todas as coisinhas deles foram perdidas”.
Cristiano Poli, proprietário de uma mecânica e chapeação na Mário Lopes, lamenta os prejuízos que sofreu em conseqüência da enxurrada. Quando percebeu que a água já estava inundando tudo, só deu tempo de tirar uma caminhonete Ranger 96 que estava funcionando, os outros 11 veículos, (Passat 80, Gol GTS 89, Fiorino 94, Marajó 80, Chevette 79, Cherokee 98, Marea 2001, Gil 99, Celta 2008, Opala 80 e um Diplomata 87). “Estou sem saber o que fazer. Já tive uma perda grande algum tempo atrás devido o mesmo problema, a água vem forte e arrasta tudo. Como não tem escoamento adequado, ela pára nos pátios das casas que são baixas. Só uma vez que uma construtora esteve aqui em casa verificando a situação, de lá para cá, nunca mais.
Sinceramente vou buscar meus direitos. Só em carros, acredito que devo chegar a R$ 170, 180 mil de prejuízo e vou querer de volta esse dinheiro”.
Para o presidente da Associação dos Moradores do Fátima Baixo, senhor Arcébio Alves da Silva, a situação é desesperadora. “Que todos que perderam seus bens materiais como casas, móveis, carros, eletrodomésticos e outros, sejam ressarcidos pelo poder público que é o maior responsável por tudo isso que está acontecendo aqui no Fátima Baixo. Essas obras do Sistema Viário do Fátima precisam ser acabadas urgentemente, pois elas contribuem ainda mais para o caos que se instalou aqui. As águas não têm vazão e invadem os lugares mais baixos, então os moradores que sofrem.
Se as obras são do poder público, o responsável por estas catástrofes é ele poder público, nós nada podemos fazer diante de tamanha calamidade. Sempre aconteceu algum problema aqui no Fátima Baixo, mas depois que iniciou essa obra aí de cima, tudo ficou mais difícil para nós, que volta e meia nos deparamos com esse tipo de coisa. A população já está cansada, isso tem que ter fim, antes que aconteça algo pior”, conclamou.
Ainda na Mário Lopes, o muro que faz divisa entre a entidade Criança Feliz e a escola João De Zorzi caiu com a força do vento e das águas e o vento aliado á chuva, destruiu alguns móveis e materiais de recreação da entidade. (Fotos Ponto Inicial)
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