O Dia Nacional da Consciência Negra é celebrado em 20 de novembro no Brasil e é dedicado à reflexão sobre a inserção do negro na sociedade brasileira. A semana dentro da qual está esse dia recebe o nome de Semana da Consciência Negra.
A data foi escolhida por coincidir com o dia da morte de Zumbi dos Palmares, em 1695. O Dia da Consciência Negra procura ser uma data para se lembrar a resistência do negro à escravidão de forma geral, desde o primeiro transporte de africanos para o solo brasileiro (1594).
Algumas entidades como o Movimento Negro (o maior do gênero no país) organizam palestras e eventos educativos, visando principalmente crianças negras. Procura-se evitar o desenvolvimento do auto-preconceito, ou seja, da inferiorização perante a sociedade.
Outros temas debatidos pela comunidade negra e que ganham evidência neste dia são: inserção do negro no mercado de trabalho, cotas universitárias, se há discriminação por parte da polícia, identificação de etnias, moda e beleza negra, etc.
O dia é celebrado desde a década de 1960, embora só tenha ampliado seus eventos nos últimos anos.
Lá se vão séculos depois da escravatura onde a lei da chibata era a única forma de diálogo que os senhores da casa grande tinham com esse povo. De repente veio a idéia de que valores morais e éticos vão além da cor da pele, dos olhos, da vestimenta, da comida que vai no prato ou da bebida que se toma, nos lares ou em ambientes públicos.
Episódios marcantes vêm acontecendo ao longos dos tempos. Mais recentemente, a atitude discriminatória de um conhecido comerciante da cidade que fez piada racista contra uma funcionária de uma de suas lojas. O caso ainda está na justiça e não se tem notícia do desfecho e tantos outros que ocorrem todos os dias e que via de regra, acaba no esquecimento, pelo simples fato de não ter tanta repercussão na mídia, pelo comprometimento e pelas relações de trabalho e de amizade.
Temos acompanhado nos grandes centros, principalmente nos shoppings centers, o grande ‘cuidado’ que os seguranças têm com os frequentadores negros, que utilizam esses espaços por serem clientes e também por entenderem que mercem o livre arbítrio de escolher por onde devem andar ou frequentar.
Em breve divulgaremos algumas barbaridades que estão acontecendo na nossa cidade, divulgando o nome dos estabelecimentos que têm sido literalmente racistas nesse tocante e com uma agravante, preferem desmentir ou constranger as pessoas com a conivência daqueles que deveriam preservar ou tratar com igualdade todos os frequentadores.
Muitas vezes ignoram o bom senso e ficam completamente fora da realidade ou da atualidade, uma vez que o bandido ou o ladrão mudou de padrão, de cor ou de perfil social.
Antes o ladrão, o bêbado, o marginal necessariamente teria que ser preto e a prostituta, obrigatoriamente se enquadraria nessa tese. No entanto, hoje os tempos são outros, a prostituta, a mulher de vida fácil anda por aí atrás de um bom partido, desfilando em carrão importado, com roupa de grife, sandália de salto 15, lentes nos olhos e peitos siliconados. Essas são brancas e não negras, até porque a negra não tem essa ‘capacidade’ de conquistar bons partidos de olhos azuis.
Dito isso não para fazer alusão de que essa ou aquela cor precisam necessariamente ser detentoras de títulos ou que aquilo que não presta e não é socialmente correto, tenha quer atribuida à cor da pele, mas para desmistificar questões envolvendo a cultura e a cabeça pequena dos hipócritas.
Enquanto que aos homens e mulheres negras resta a possibilidade de fazer o ENEM, depois tentar uma vaga no Prouni e entrar na faculdade ou através das cotas, tamanha a disparidade que se criou no nosso país, que tem na sua pele, a cor negra como predominância.
Mas graças ao poder que os donos de shoppings centers atribuem às suas gerências, colocadas ali pelo “QI”, (Quem Indica) que por sua vez delegam poderes aos chefes de segurança, é que vão continuar acontecendo as discriminações e cada vez mais a redução da frequência de pessoas negras a esses centros de compras.
Aliás, eles shoppings, já tiraram o direito ao cinema, às lanchonetes das pessoas e isso cada vez fica mais evidente no que tange à falta de respeito verificada nos ambientes fechados e ditos como maior poderio econômico.
As pessoas também são responsáveis, pois permitem. Como? Simples, na hora em que elas acreditam que estão sendo tratadas como ‘vips’ por estarem ali pagando uma exorbitância por uma calça jeans, uma blusinha que uma costureira faz por R$ 10,00, 15,00 e eles pagam R$ 100,00, R$ 150,00 sem pestanejar e do almoço que sai a partir R$ 3,90 a cem gramas. Ninguém come satisfatóriamente menos de um quilo e sem contar o refrigerante que custa R$ 5,00 a latinha.
Para essas é confortável desfrutar todos esses momentos sem a presença de um negro, alguém em potencial que pode estar ali para lhe roubar a carteira ou lhe tirar o espaço físico, ou respiurar o mesmo ar que respiram.
Nem vamos enumerar aqui todos os valorosos seres humanos que fazem parte desse universo de seres privilegiados e que dividem o fruto do seu trabalho com todos, indistintamente da cor. Mas vamos nos arriscar e citar apenas alguns. Lázaro Ramos, Pelé, Tais Araújo, Alceu Collares, Barack Obama, Deise Nunes, Osmar Dutra, Maria Cenira Cavalheiro Dutra, Durval Daniel da Conceição, Érica Dias, Valéria Martins, Mestre Brasil, Edson da Rosa, Joaquim Barbosa, Milton Nascimento, Daiane dos Santos, Seu Jorge, Alcione, Elza Soares, Laudir José Dutra, Abdias do Nascimento, Dorilene Santos da Conceição, Dilson Dutra, Rosimere Cavalheiro Dutra, Gilberto Gil, Zumbi dos Palmares, Janaina Martins, Neguinho da Beija-Flor, Alexandre Pires, Seal, Lionel Richie, Michael Jackson, Milton Gonçalves, professor Serginho e tantos outros que estão espalhados por aí.
Mas algo deve se feito antes que todas essas conquistas se percam em meio a tanto despreparo das autoridades que muitas vezes são coniventes sim em questões envolvendo tanta discriminação.
É preciso que todas as pessoas que de alguma forma se sentirem discriminadas ou preteridas venham a público e se insurjam contra essa prática que ao que parece não será banida da face da terra tão cedo. Um louvor ao Dia da Consciência Negra e à data destinada a ela. Não haveria necessidade de estarmos aqui dando voz a isso se as pessoas fossem mais tolerantes e entendessem de uma vez por todas, que a discriminação não leva a lugar algum. (Foto Divulgação)
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