Neste sábado, dia 18, a caxiense Renata Piroli Mascarello, 25 anos, lança o livro ‘Cidades à Venda’, colocando em discussão as obras que foram feitas para a Copa do Mundo de 2014 e sua relação com a ocupação do espaço urbano. A autora traz ao debate a série de consequências para as populações afetadas pelas obras, além da relação entre as empreiteiras e os agentes políticos, através das doações para campanhas eleitorais.
O lançamento acontece às 18h30min, no Zarabatana Café, no Centro de Cultura Dr. Henrique Ordovás Filho e contará com exposição de obras da artista Clara Koppe.
“Cidades à venda: a produção capitalista do espaço e do direito no contexto da Copa do Mundo de 2014”, com 219 páginas, é fruto da dissertação de mestrado de Renata, pela Universidade de Caxias do Sul (UCS), defendida em março de 2016. Com a obra, ela é a única gaúcha a integrar a coleção “Crítica do Direito: Experiências Sociais e Jurídicas”, da editora carioca Lumen Juris.
“É um livro que faz uma análise crítica sobre a produção e ocupação do espaço dentro de um contexto de crise do capitalismo, dialogando com os mega eventos esportivos, em especial, a Copa do Mundo de 2016”, explica Renata.
Entre as cidades que tiveram obras para a Copa do Mundo e foram analisadas, estão Porto Alegre, Belo Horizonte, São Paulo e Cuiabá. Padrões de consequência foram identificados, como as remoções massivas, a falta de acesso à documentação relativa às obras, a falta de diálogo com os poderes envolvidos e a violência nas desocupações e remoções, sobretudo quando houve resistência por parte dos moradores.
Em Porto Alegre, por exemplo, o caso mais emblemático foi a duplicação da Avenida Tronco, na zona sul. Ao todo, 6.245 famílias foram afetadas, desde as que moravam na via duplicada, quanto no entorno do estádio Beira Rio, que recebeu obras para a Copa. Apesar das remoções, com as famílias sendo desalojadas sem terem sido indenizadas ou realocadas, a obra não foi concluída para a Copa de 2016.“Foram removidas comunidades antigas e consolidadas, sem qualquer garantia de um novo lar, ou de uma indenização”, diz Renata.
“Cidades à Venda” coloca em discussão como o capital se apropria das cidades, sendo os mega eventos esportivos mais uma estratégia, quando não um pretexto, para a privatização do espaço urbano.
O segundo capítulo, em especial, coloca em pauta a relação de promiscuidade entre os agentes públicos e privados, transformando as cidades em balcões de negócios. Entre os dados apurados estão os valores das obras, quais foram as principais empreiteiras responsáveis pelas construções e as doações para campanhas eleitorais realizada por estas mesmas empresas.
Renata explica ainda que a Copa é usada como objeto de análise, mas a discussão é mais ampla que um evento. Os sujeitos e contextos podem ser alterados, mas a privatização do espaço urbano segue a mesma lógica. “A Copa veio e passou, as cidades, as campanhas e as barganhas ficaram e podem continuar ocorrendo”, diz.
Entre as fontes para as informações, estão os dados do Portal da Transparência do Governo Federal, dossiês e documentos elaborados por movimentos sociais e ativistas. O livro pode ser adquirido no dia do lançamento - por R$ 50,00 - ou através da internet – R$ 64,00, no site da editora: https://lumenjuris.com.br/shop/direito/sociologia-juridica/cidades-venda-2016
Renata é graduada e mestra em direito pela UCS. Ingressou no mestrado em primeira colocação, com bolsa da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior). Agora, ela embarca para o Rio de Janeiro, onde foi selecionada, também em primeiro lugar, para cursar especialização em Política e Planejamento Urbano, no Instituto de Pesquisa em Planejamento Urbano e Regional (IPPUR), vinculado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

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