Modelo de biorreator com tambor rotativo garante à UCS segunda carta-patente do INPI em 40 dias


Protótipo desenvolvido por pesquisadores do Instituto de Biotecnologia aumenta produtividade de enzimas utilizáveis nas indústrias alimentícia, farmacêutica e química

Foto Claudia Velho/UCS
Professor Tomás Polidoro apresenta o protótipo do tambor rotativo no Laboratório de Bioprocessos: solução para o controle de temperatura no cultivo de microorganismos.

O Instituto de Biotecnologia da Universidade de Caxias do Sul (IB-UCS) assegurou a conquista da segunda carta-patente conferida à instituição, em pouco mais de um mês, pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). Desta vez, um projeto desenvolvido pelo Laboratório de Bioprocessos resultou na outorga de propriedade de 'modelo de utilidade': um biorreator de tambor rotativo que possibilita, se adaptado ao contexto industrial, a produção em larga escala de enzimas usadas por empresas alimentícias, farmacêuticas e de química fina (anticongelantes, solventes, entre outros).
protótipo foi desenvolvido pelo professor Tomás Polidoro, inicialmente como Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) na graduação em Engenharia Química, e, em seguida, no mestrado em Biotecnologia(acompanhado do bolsista Lucas Gelain). A sugestão foi do professor orientador, Maurício Silveira, que,ainda em 2006, propôs, ao então bolsista de iniciação científicabuscar a resolução de um problema recorrente no cultivo de fungos em meio sólido em laboratórioconseguir aumentar a escala deprodução de enzimas pectinolíticas (usadas, por exemplo, na clarificação, diminuição da viscosidade e aumento da extração do suco da uva e da maçã, melhorando o produto final e a produtividade).

Controle de temperatura e umidade

Para tanto, seria preciso resolver o problema do aumento de temperatura ocasionado pela liberação de calor do cultivo. Até então, o procedimento no laboratório ocorria com o uso de pequenas quantidades de subtrato (farelo de trigo), depositado em recipientes de vidro colocados em estufas. Como amultiplicação de microorganismos gera calor, aumentar a quantidade de substrato para produzir mais enzimas faz com que a temperatura do cultivo ultrapasse os 30ºC ideaisocasionando a desnaturação (perda de propriedades) das enzimas.
A necessidade, então, era criar um equipamento capaz de conter mais substrato e permitir a regulaçãodas variáveis necessárias ao bioprocesso. “O microorganismo deve crescer dentro de condições específicas. Basicamente, se controla a temperatura, evitando-se que aqueça demais, e umidade, que precisa ser uniforme no material”, explica Polidoro. “A solução, para produzir em quantidade maior, seria colocar o meio de cultivo em agitação, desagregando a massa do substrato sólido para liberar o calor e homogeneizar a umidade do meio de cultivo”, complementa.

Adaptação com resolução específica

O professor se inspirou em reatores que trabalham com tambor agitado (recipiente cilíndrico com eixo giratório interno) para criar a ideia de um tambor rotativo transparente, no qual o casco gira para revolver o conteúdo, que pode ser monitorado visualmente. “Por isso é um modelo de utilidade: uma adaptação de algo pré-existente para resolver um problema, e não uma invenção”, pontua o pesquisador.

A partir daí, foi pura engenhosidade, com a inclusão de artefatos conforme as demandas iam surgindo. Primeiro, a anexação de um motor de baixa rotação ao tambor cilíndrico para fazê-lo girar. Depois, umtimer para provocar um giro intermitente, revolvendo o substrato de tempos em tempos, evitando a formação de grumos (porções aglomeradas do material).

Aquecimento e resfriamento

Para controle de temperatura externa ao tambor, Polidoro adaptou uma caixa de aquecimento a ar – nas primeiras 24 horas é preciso fornecer calor para o cultivo, que dura 96 horas. Também é enviado ar, aquecido e umidificado, para o interior do cilindro, através de uma mangueira, com controle de pressão e vazão. A intenção é manter a temperatura necessária ao cultivo, entre 27ºC e 32ºC.
Após as primeiras 24 horas, o aumento de temperatura precisa ser contido – e aí entra a solução trazida pelo projeto. Além do movimento para revolver o conteúdo, o aquecimento é substituído por um aspersor que despeja uma lâmina d'água sobre o tambor giratório, para resfriá-lo continuamente até o fim das 72 horas restantes do bioprocesso.

RECURSO PARA CENTROS DE PESQUISA E INDÚSTRIAS

De acordo com Polidoro, o controle de temperatura trazido pelo modelo permite, além do cultivo de microorganismos (bioprocessos) para a produção de enzimas, também a utilização em processos enzimáticos (biotransformação). Estes se referem à obtenção de produtos de interesse a partir do processamento das enzimas.

Ambas aplicações são úteis para laboratórios e universidades – atualmente, há cerca de 50 centros de pesquisa em biotecnologia no país. O modelo criado pela UCS também surge como recurso para empresas, dos ramos alimentício, farmacêutico e químico, que poderiam produzir suas próprias enzimas em vez de adquiri-las de fornecedores.

A validade da carta-patente, autorizando a UCS a disponibilizar o tambor rotativo ao mercado, é de 15 anos a partir da data de depósito (8 de junho de 2009). Em março, a Universidade, recebeu outra concessão do INPI – uma carta-patente de invenção oriunda de uma pesquisa do Laboratório de Enzimas e Biomassas, também do Instituto de Biotecnologia, que desenvolveu tecnologia para produção de agentes antipoluentes e de insumos para as indústrias têxtil e papeleira.

Emprego no varejo gaúcho apresenta estabilidade em abril

Foto: César Moraes
Levantamento da FCDL-RS indica que o setor começa a viver um lento processo de geração de novos postos de trabalho

O emprego no varejo gaúcho registrou estabilidade no último mês de abril, comparado ao mesmo período de 2016. Houve recuo de 27 postos de trabalho, índice considerado pequeno comparado à retração de 909 vagas no mesmo período do ano passado e 1.687 no ano de 2015. A análise da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Rio Grande do Sul - FCDL-RS, é de que o indicador mostra o lento processo evolutivo da empregabilidade no segmento, mas que precisará passar imune a nova crise política instaurada no país. 

- Antes, tínhamos a expectativa positiva de que o segundo semestre do ano traria uma performance melhor da retomada do emprego no comércio. Para que isso se concretize, é importante que seja mantida a governabilidade da Nação, permitindo que a economia siga seu processo de recuperação - salienta o presidente da FCDL-RS, Vitor Augusto Koch.

Segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, em abril, as dispensas aconteceram em maior número em Porto Alegre, especialmente nos shopping centers e nas cidades litorâneas, por conta do final do período de veraneio e do encerramento dos empregos temporários. Passo Fundo, Pelotas e Sapiranga tiveram indicadores positivos na geração de novos postos de trabalho no varejo, por conta da retomada da intensidade do comércio local. Na totalização do mês, 314 municípios gaúchos registraram estabilidade ou alta no emprego varejista, diante de 185 com saldo negativo. 

Contrariando uma tendência de crescimento apresentada em janeiro, fevereiro e março, o emprego geral no Rio Grande do Sul registrou, em abril, retração de 3.044 vagas. Ainda assim, o primeiro quadrimestre do ano mostra um saldo positivo, com geração de 21 mil postos de trabalho. Vale lembrar que em abril de 2016 houve extinção de 7,4 mil vagas e, em 2015, queda de 7,3 mil. 

Outro aspecto a ser destacado é que o resultado em foco foi determinado pela sazonalidade agrícola do Rio Grande do Sul, com o final do uso intensivo de mão de obra para colheita das safras. A queda do emprego rural foi de 2.830 vagas.
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